Choropedia
Paulo Aragão: violonista, compositor e pesquisador do choro
Conheça Paulo Aragão, violonista, arranjador e fundador do Quarteto Maogani. Sua trajetória no choro, ensino e pesquisa sobre a música brasileira.
Foto: Ana Branco
Introdução
Paulo Aragão (Rio de Janeiro, 5 de março de 1976) é violonista, compositor, arranjador, professor e pesquisador da música brasileira. Sua trajetória reúne a prática do choro, a escrita para conjuntos de violões, o trabalho com orquestras e a pesquisa sobre a história do arranjo popular.
Fundador do Quarteto Maogani, construiu uma extensa produção como arranjador e colaborou com artistas de diferentes gerações. Também desenvolveu um trabalho importante no ensino e na preservação do choro, especialmente por meio da Escola Portátil de Música, da Casa do Choro e de projetos dedicados à obra de Pixinguinha.
O Quarteto Maogani
Em 1994, Paulo Aragão fundou o Quarteto Maogani ao lado de Carlos Chaves, Marcos Alves e Sergio Valdeos. O grupo nasceu do encontro dos quatro músicos no curso de Violão da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Com diferentes tipos de violão, o Maogani desenvolveu uma sonoridade baseada na distribuição de melodias, baixos, acordes e contracantos entre os integrantes. Seu primeiro álbum, Maogani, foi lançado em 1997. Nos trabalhos seguintes, o quarteto abordou obras de compositores como Tom Jobim, Guinga, Pixinguinha, Moacir Santos e Ernesto Nazareth, além de construir um repertório autoral.
Desde 2024, o grupo é formado por Carlos Chaves, no violão requinto, Diogo Sili, no violão de sete cordas, Lucas Gralato, no violão de seis cordas, e Paulo Aragão, no violão de oito cordas. A nova formação estreou em disco com Maogani Autoral, primeiro álbum do quarteto dedicado inteiramente a composições de seus integrantes.
Ao longo de sua trajetória, o Maogani recebeu diversos reconhecimentos, incluindo três prêmios de Melhor Grupo Instrumental no Prêmio da Música Brasileira. Sua discografia consolidou uma linguagem própria, construída a partir do violão brasileiro e aberta ao choro, ao samba, à canção e à música de câmara.
O trabalho como arranjador
Paulo Aragão tornou-se um dos arranjadores mais requisitados de sua geração. Trabalhou em projetos de Guinga, Francis Hime, Dori Caymmi, Edu Lobo, Mauricio Carrilho, Nailor Proveta e Monica Salmaso, além de colaborar com instrumentistas como Sergio Assad, Yamandu Costa e Hamilton de Holanda.
Seus arranjos foram executados por conjuntos brasileiros e estrangeiros, entre eles a Orquestra Sinfônica Brasileira, a Orquestra Petrobras Sinfônica, a Orquestra Jazz Sinfônica, a Los Angeles Philharmonic, a Orchestre National de France, a Gewandhausorchester de Leipzig e a Metropole Orkest.
Sua escrita distribui o material musical entre diferentes vozes, cria contracantos e aproveita as características sonoras de cada formação.
Ensino e pesquisa
Desde 2002, Paulo Aragão atua como professor da Escola Portátil de Música, projeto dedicado à transmissão da linguagem do choro. Também integra a direção do Instituto Casa do Choro, participando da elaboração de materiais didáticos, concertos, gravações e arranjos para o Bandão da EPM.
Entre 2009 e 2017, foi consultor do acervo de música do Instituto Moreira Salles. Nesse período, participou de pesquisas, publicações e projetos voltados à recuperação da obra de Pixinguinha.
Foi um dos responsáveis pela organização de edições como Pixinguinha na Pauta, Pixinguinha: Inéditas e Redescobertas e O Carnaval de Pixinguinha. Esses trabalhos tornaram acessíveis partituras que permaneciam inéditas, esgotadas ou guardadas em acervos, além de contribuir para o estudo da escrita orquestral do compositor.
Também elaborou roteiros para a série Casa do Choro, da Rádio Batuta, e ministrou cursos sobre as origens do choro, a formação da música popular urbana e a história do arranjo brasileiro.
Estilo musical
A música de Paulo Aragão se desenvolve no encontro entre a tradição do choro e a escrita camerística. Suas composições preservam o movimento melódico e a pulsação dos conjuntos populares, com atenção à distribuição das vozes, às diferentes combinações entre os instrumentos e à construção das formas musicais.
Como compositor, transita por choros rápidos e lentos, valsas, polcas, schottisches, maxixes e tangos brasileiros. Sua escrita combina melodias cantáveis, harmonia elaborada e um tratamento instrumental que aproxima a roda de choro da música de câmara.
Obras importantes
Contemplativo Choro lento que exemplifica sua escrita melódica e foi incorporado ao repertório da Furiosa Portátil.
Choro sentimental Composto em 2020 e dedicado a Cristovão Bastos, abre o álbum Choros Líricos e Sentimentais.
A casa da música Choro de caráter movimentado, construído a partir do diálogo entre melodia, contracantos e acompanhamento.
Choro no fim do mundo Parceria com Roberto Didio, gravada com a participação de Monica Salmaso.
Tarde em Paquetá Schottisch que retoma um gênero importante na formação histórica do choro.
Nazareth e Milhaud Tango brasileiro cujo título aproxima Ernesto Nazareth do compositor francês Darius Milhaud.
Choro lírico Peça de andamento lento que encerra o álbum dedicado aos seus cinquenta anos.
Choros Líricos e Sentimentais
Em 2026, Paulo Aragão lançou Choros Líricos e Sentimentais, álbum dedicado à sua produção como compositor. O trabalho reúne peças escritas em diferentes momentos de sua carreira, com formações que vão do violão solo aos conjuntos com sopros, cordas, piano e instrumentos característicos do choro.
O repertório apresenta treze faixas, entre elas Choro sentimental, Gafieira, Choro de outono, Choro bordado, 45 do primeiro tempo, Valsa seresteira nº 2 e Coreto de Itaipu.
O disco conta com músicos como Cristovão Bastos, Monica Salmaso, Toninho Carrasqueira, Nailor Proveta, Luciana Rabello, Mauricio Carrilho, Pedro Aragão, Jayme Vignoli e integrantes do Quarteto Maogani. Além de registrar sua obra autoral, o álbum reúne as principais vertentes de sua trajetória: o violão, o arranjo, o choro e a escrita para conjuntos maiores.
Discografia selecionada
Maogani, com o Quarteto Maogani, 1997.
Cordas Cruzadas, com o Quarteto Maogani, 2001.
Água de Beber, com o Quarteto Maogani, 2004.
Maogani Autoral, com o Quarteto Maogani, 2024.
Impressão de Choro, com o Quarteto Maogani, 2008.
Pairando, com o Quarteto Maogani, 2014.
Canela, com Renato Braz e o Quarteto Maogani, 2015.
Álbum da Califórnia, com o Quarteto Maogani, 2019.
Choros Líricos e Sentimentais, 2026.
Importância para o choro
A contribuição de Paulo Aragão ultrapassa sua atuação como instrumentista. Como arranjador, ampliou as possibilidades do violão e do regional de choro em formações camerísticas e orquestrais. Como professor, participa diretamente da formação de novas gerações de músicos. Como pesquisador, ajudou a recuperar e divulgar parte importante do repertório de Pixinguinha e da história do arranjo brasileiro.
Sua obra mostra que tradição e renovação não são caminhos opostos. Em seus arranjos e composições, a linguagem histórica do choro permanece reconhecível, ao mesmo tempo que encontra novas instrumentações, texturas e possibilidades de escrita.
Fontes
As seguintes fontes são relevantes para o estudo de Paulo Aragão e de sua atuação na música brasileira:
Instituto Casa do Choro. Verbete “Paulo Aragão”, catálogo de partituras e materiais da Escola Portátil de Música. Fonte central para dados biográficos, atividade como arranjador, Quarteto Maogani, ensino e participação nos projetos da instituição.
Instituto Moreira Salles. Publicações, cursos e materiais relacionados a Pixinguinha. Referência para sua atuação como consultor do acervo de música e sua participação em pesquisas e edições de partituras.
Rádio Batuta, Instituto Moreira Salles. Séries Casa do Choro, Pixinguinha na Pauta e cursos sobre as origens da música popular brasileira. Documentação de sua atividade como pesquisador, professor e roteirista.
Discografia Brasileira, Discos do Brasil. Registros de sua atuação como arranjador em discos de artistas, conjuntos instrumentais e orquestras.
Quarteto Maogani. Histórico, formação e discografia do conjunto.
Site oficial de Paulo Aragão. Trajetória artística, trabalhos como violonista, compositor e arranjador, além de sua participação na fundação e no desenvolvimento do Quarteto Maogani.
Revista Prosa, Verso e Arte. Informações e ficha técnica do álbum Choros Líricos e Sentimentais, lançado em 2026.
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