Choropedia
Nelson Alves: cavaquinista do choro brasileiro
Conheça Nelson Alves, cavaquinista e compositor do choro, integrante dos Oito Batutas e pioneiro do cavaquinho solista.

Introdução
Nelson dos Santos Alves, conhecido como Nelson Alves (Rio de Janeiro, 1895–1960), foi cavaquinista e compositor brasileiro. Presente em momentos decisivos da formação do choro urbano, participou de conjuntos históricos, acompanhou alguns dos principais instrumentistas de sua geração e contribuiu para ampliar o papel do cavaquinho dentro dos grupos instrumentais.
Sua trajetória atravessou as primeiras gravações comerciais realizadas no Brasil, a criação dos Oito Batutas e o desenvolvimento de uma linguagem mais solista para o instrumento.
Primeiros conjuntos e gravações
Nelson Alves iniciou sua atividade profissional durante a década de 1910, período em que o choro começava a ocupar os estúdios fonográficos, os cinemas, os teatros e os salões do Rio de Janeiro.
Ao lado do violonista Tute, integrou o Grupo Chiquinha Gonzaga, liderado musicalmente pelo flautista Antônio Maria Passos. A formação participou de registros de obras da compositora, ajudando a documentar em disco a sonoridade dos conjuntos de choro daquele período.
Também fez parte do Grupo Carioca, que tinha como solista o trombonista Candinho Silva. Nessas formações, o cavaquinho exercia uma função essencial na sustentação rítmica e harmônica, conectando a melodia dos instrumentos solistas ao movimento dos violões.
Os Oito Batutas
Em 1919, Nelson Alves participou da fundação dos Oito Batutas, conjunto criado para se apresentar no Cinema Palais, no centro do Rio de Janeiro. Liderado por Pixinguinha e formado por músicos como Donga e China, o grupo se tornou uma das principais referências da música popular brasileira nas primeiras décadas do século XX.
Os Batutas apresentavam um repertório formado por choros, maxixes, batuques, canções e gêneros regionais. O sucesso levou o conjunto a realizar excursões pelo Brasil e apresentações internacionais, incluindo passagens pela França e pela Argentina.
Durante a temporada na Argentina, em 1923, os Oito Batutas realizaram vinte gravações para a Victor de Buenos Aires, nas quais Nelson Alves é creditado ao cavaquinho. Fotografias e relatos da época também mostram que utilizava instrumentos hoje pouco comuns, como o cavaquinho de cinco cordas e um banjo afinado como bandolim.
Posteriormente, integrou o Grupo da Guarda Velha, organizado por Pixinguinha e dedicado à preservação e renovação de repertórios ligados ao choro, ao samba e às antigas tradições musicais cariocas.
O cavaquinho de Nelson Alves
Nelson Alves pertenceu a uma geração que consolidou o cavaquinho como elemento indispensável dos conjuntos de choro. Seu instrumento não se limitava à marcação dos acordes: participava ativamente da condução rítmica, criava respostas às melodias e podia assumir a voz principal.
Em 1929 e 1930, gravou como solista composições próprias para as gravadoras Victor e Brunswick. Esses registros revelaram um músico capaz de combinar precisão rítmica, agilidade e clareza melódica, em uma época na qual poucos cavaquinistas apareciam como protagonistas dos discos.
Sua escrita apresenta melodias movimentadas, modulações frequentes e forte senso de balanço. Mesmo nas passagens tecnicamente exigentes, o desenho musical permanece ligado à dança e à conversa característica das rodas de choro.
Obras importantes
Entre suas composições mais conhecidas estão:
Mistura e manda Choro de grande vitalidade rítmica, tornou-se uma das obras mais executadas de seu repertório.
Serpentina Peça marcada por movimentos melódicos ágeis e mudanças harmônicas que exigem domínio técnico do conjunto.
Ficou calmo Gravada pelo próprio compositor em 1929, é um dos principais registros de sua atuação como solista.
Nem ela nem eu Choro preservado no repertório de diferentes gerações de instrumentistas.
Além dos choros, Nelson Alves escreveu valsas, polcas e schottisches, entre elas Gotas sonoras, A hora da saudade, Lucília, Radiosa e Requebros da bahiana.
Importância para o choro
Nelson Alves pertenceu à geração que levou a tradição dos conjuntos de pau e corda aos palcos, aos estúdios fonográficos e às excursões internacionais.
Como acompanhador, participou da construção da sonoridade coletiva que definiu o choro nas primeiras décadas do século XX. Como solista e compositor, demonstrou que o cavaquinho também podia conduzir melodias complexas e ocupar o centro de uma gravação.
Apesar de menos lembrado do que outros músicos de sua geração, Nelson Alves deixou composições que seguem presentes nas rodas de choro e no repertório dos cavaquinistas. Sua música combina inventividade melódica, firmeza rítmica e domínio da linguagem do gênero.
Fontes
As seguintes fontes são relevantes para o estudo de Nelson Alves e do contexto musical em que atuou:
Instituto Casa do Choro. Verbete “Nelson Alves” e catálogo de partituras. — Fonte central para os dados biográficos, atuação nos grupos instrumentais, gravações como solista e identificação de suas principais composições.
Instituto Moreira Salles — Acervo Pixinguinha. Fotografias e documentos relacionados ao Grupo do Caxangá e aos Oito Batutas. — Referência para a identificação de Nelson Alves nas formações históricas das quais participou.
Pixinguinha — Vida e Obra. Perfil dos Oito Batutas. — Informações sobre a criação do conjunto, apresentações no Cinema Palais e excursões realizadas pelo grupo na década de 1920.
Discografia Brasileira — Discos do Brasil. Registros de Nelson Alves como compositor e instrumentista. — Fonte para gravações, créditos instrumentais, repertório e participação nos discos dos Oito Batutas.
Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Verbete “Nelson Alves”. — Referência complementar sobre sua trajetória, os conjuntos que integrou e suas gravações como cavaquinista e compositor.
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