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Dilermando Reis – Violonista, Compositor e Professor

Conheça Dilermando Reis, violonista e compositor central do violão brasileiro, com obras como Magoado, Noite de Lua e Se Ela Perguntar.

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Dilermando Reis

Introdução

Dilermando dos Santos Reis (Guaratinguetá, São Paulo, 22 de setembro de 1916 – Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 1977), conhecido como Dilermando Reis, foi violonista, compositor, arranjador e professor, considerado uma das figuras centrais da história do violão brasileiro.

Sua trajetória esteve profundamente ligada ao rádio, à indústria fonográfica e à consolidação do violão como instrumento solista no Brasil. Como compositor e intérprete, deixou um repertório que atravessou gerações e continua presente entre estudantes, concertistas e músicos ligados ao choro.


Formação e primeiros anos

Dilermando começou a aprender violão ainda na infância com o pai, Francisco Reis, violonista amador e seresteiro. O ambiente familiar o aproximou desde cedo de valsas, modinhas, canções e serenatas.

Aos 15 anos assistiu a uma apresentação do violonista Levino da Conceição, que passava por Guaratinguetá. Tornou-se seu aluno e passou a acompanhá-lo em apresentações e excursões, ampliando sua formação e o conhecimento do repertório violonístico.

Em 1933 chegou ao Rio de Janeiro com Levino. Na capital aproximou-se de João Pernambuco, um dos grandes nomes do violão brasileiro, e estudou teoria musical com Bonfiglio de Oliveira.

Sua formação reuniu, assim, diferentes universos: o aprendizado oral da seresta e do choro, o contato com grandes violonistas populares e o estudo formal de teoria e repertório.


O rádio

Nos primeiros anos no Rio de Janeiro, Dilermando trabalhou como professor em lojas de instrumentos musicais, que também funcionavam como importantes pontos de encontro entre músicos e estudantes.

Em meados da década de 1930 começou a participar de programas de rádio, inicialmente acompanhando cantores.

Durante um intervalo de uma dessas apresentações, foi ouvido tocando sozinho pelo radialista Renato Murce, que percebeu o potencial do violão como atração principal. A partir daí, Dilermando passou a ocupar um espaço cada vez maior como solista.

Atuou em emissoras como a Rádio Transmissora, Rádio Clube do Brasil e, posteriormente, a Rádio Nacional.

Também trabalhou como acompanhador e apresentou-se no Cassino da Urca, convivendo com importantes cantores, instrumentistas e maestros da música popular brasileira.


Sua Majestade, o Violão

Entre 1956 e 1969, Dilermando apresentou na Rádio Nacional o programa Sua Majestade, o Violão.

O programa teve grande importância na divulgação do instrumento para um público amplo, em uma época em que o rádio ocupava posição central na cultura brasileira.

O violão, durante muito tempo associado às serenatas, às rodas populares e ao acompanhamento de cantores, aparecia ali como protagonista.

Dilermando interpretava composições próprias, obras de outros autores brasileiros e adaptações de repertório internacional, contribuindo para ampliar a percepção das possibilidades do instrumento.


Compositor

Dilermando escreveu choros, valsas, guarânias, boleros, toadas, maxixes e sambas-canções.

Seu primeiro disco, lançado em 1941, trouxe duas composições próprias: o choro Magoado e a valsa Noite de Lua.

Nos anos seguintes registrou obras como Vê se te Agrada, Doutor Sabe Tudo, Xodó da Baiana, Promessa, Tempo de Criança, Dois Destinos e Ausência.

Entre suas composições mais conhecidas está também a valsa Se Ela Perguntar, parceria com Jair Amorim.

Grande parte desse repertório permanece ligada ao ensino do violão e continua sendo interpretada por músicos de diferentes gerações.


Intérprete do repertório brasileiro

Dilermando também teve papel importante na divulgação da obra de outros compositores.

Suas gravações de Sons de Carrilhões, de João Pernambuco, e Abismo de Rosas, de Canhoto, tornaram-se referências do repertório violonístico brasileiro.

Ao longo da carreira interpretou ainda obras de Ernesto Nazareth, Pixinguinha e outros autores fundamentais da música instrumental brasileira.

Em 1972 lançou Dilermando Reis Interpreta Pixinguinha, com versões de obras como Carinhoso, Lamentos, Segura Ele, Chorei e Proezas de Solon.

No ano seguinte gravou Homenagem a Ernesto Nazareth, acompanhado por Dino 7 Cordas, interpretando peças como Odeon, Brejeiro, Apanhei-te, Cavaquinho e Escorregando.


Dilermando e o acompanhamento

Embora tenha se tornado conhecido principalmente como solista, Dilermando manteve forte ligação com a tradição do acompanhamento.

Um de seus principais parceiros foi Meira, nome fundamental do violão brasileiro.

Em diversas gravações, Dilermando assumia a melodia e as passagens solistas enquanto Meira construía a base harmônica e rítmica. Essa combinação criou registros importantes da tradição do duo de violões no choro e na música popular brasileira.

Posteriormente, Dilermando também trabalharia com Dino 7 Cordas em gravações dedicadas ao repertório instrumental brasileiro.


Professor

A atividade de professor acompanhou Dilermando durante grande parte de sua trajetória.

Entre seus alunos estiveram músicos como Bola Sete e Darci Vilaverde, além de numerosos estudantes que procuravam o violonista devido à projeção alcançada no rádio e nos discos.

Também teve entre suas alunas Maristela Kubitschek, filha do presidente Juscelino Kubitschek.

Sua atuação como professor ajudou a transmitir uma tradição violonística que reunia repertório popular, técnica instrumental e conhecimento musical formal.

Dilermando chegou ainda a organizar uma orquestra formada por dez violões, explorando o instrumento para além de seu uso tradicional como solista ou acompanhador.


Obras importantes

Entre suas principais composições estão:

  • Magoado
  • Noite de Lua
  • Vê se te Agrada
  • Dois Destinos
  • Tempo de Criança
  • Doutor Sabe Tudo
  • Flor de Aguapé
  • Xodó da Baiana
  • Promessa
  • Se Ela Perguntar
  • Uma Valsa e Dois Amores
  • Ausência

Discografia selecionada

  • Magoado / Noite de Lua – 1941
  • Vê se te Agrada / Doutor Sabe Tudo – 1948–1949
  • Xodó da Baiana / Promessa – 1950–1951
  • Ausência – 1960
  • Dilermando Reis Interpreta Pixinguinha – 1972
  • Homenagem a Ernesto Nazareth – 1973

Ao longo da carreira, Dilermando gravou dezenas de discos em 78 rotações e diversos LPs, reunindo composições próprias, obras de outros violonistas brasileiros, canções populares e transcrições do repertório internacional.

Fontes

  • Instituto Casa do Choro. Verbete biográfico, catálogo de obras e acervo de partituras de Dilermando Reis.
  • Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Verbete “Dilermando Reis”.
  • Instituto Moreira Salles. Discografia Brasileira, acervo iconográfico e registros relacionados à trajetória de Dilermando Reis.

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