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Dante Santoro: flautista da Rádio Nacional e do choro

Dante Santoro foi flautista e compositor, diretor do Regional Santoro na Rádio Nacional. Conheça sua vida, obras e importância no choro brasileiro.

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dante cópia Acervo pessoal Homero Santoro

Introdução

Dante Italino Santoro (Porto Alegre, 18 de junho de 1904 – Rio de Janeiro, 12 de agosto de 1969) foi flautista, compositor e diretor de conjunto. Sua trajetória liga a tradição musical do Rio Grande do Sul ao ambiente profissional do rádio carioca, no qual se tornou um dos instrumentistas mais requisitados de sua geração.

Conhecido inicialmente como Canário Rio-Grandense e, mais tarde, como Bico de Ouro, destacou-se tanto como solista quanto à frente do Regional Dante Santoro. Durante mais de três décadas na Rádio Nacional, acompanhou cantores, participou de programas ao vivo e ajudou a consolidar a formação regional como uma das estruturas fundamentais da música popular brasileira.


Formação em Porto Alegre

Dante Santoro cresceu em uma família de origem italiana, em um ambiente no qual a música fazia parte da vida cotidiana. Começou a tocar flauta por volta dos dez anos e estudou teoria musical com Octávio Dutra, figura central da música popular urbana de Porto Alegre nas primeiras décadas do século XX.

Ainda adolescente, participou da criação do Centro Musical Porto-Alegrense, associação fundada em 1920 para organizar e representar os músicos da cidade. Entre 1921 e 1922, integrou Os Batutas, conjunto e bloco carnavalesco dirigido por Octávio Dutra.

Nesse período, circulava entre concertos, serenatas, apresentações radiofônicas e grupos populares. Seu repertório incluía música de concerto, valsas, polcas e choros, experiência que lhe permitiu desenvolver uma atuação versátil antes de seguir para o Rio de Janeiro.


A chegada ao Rio de Janeiro

Dante realizou apresentações no Rio de Janeiro ainda no fim da década de 1920, mas continuou mantendo atividades em Porto Alegre. Estabeleceu-se definitivamente na capital federal no início dos anos 1930, quando o crescimento das emissoras de rádio abria um novo mercado para instrumentistas profissionais.

Atuou em estações como Rádio Cajuti, Philips, Rádio Club, Rádio Sociedade Guanabara e Rádio Educadora. Também se apresentou em cassinos e teatros, integrando o circuito de espetáculos que alimentava a programação musical carioca.

Em 1936, ingressou na recém-inaugurada Rádio Nacional. Além de tocar na orquestra da emissora, assumiu, em 1938, a direção de seu conjunto regional.


O Regional Dante Santoro

O Regional Dante Santoro tornou-se uma das formações mais ativas da Rádio Nacional. O conjunto acompanhava cantores, solistas e atrações dos mais variados estilos, muitas vezes sem a necessidade de arranjos previamente escritos.

Ao longo dos anos, passaram pelo regional músicos como Valzinho, César Faria, Jorginho do Pandeiro, Lino do Cavaquinho e Dominguinhos. Sua formação variou, mas conservou a estrutura característica dos regionais, baseada na flauta, no cavaquinho, nos violões e na percussão.

O grupo acompanhou nomes como Francisco Alves, Orlando Silva, Sílvio Caldas, Dircinha Batista, Gilberto Alves, Jararaca e Ratinho. A rotina incluía programas diurnos e noturnos, transmissões ao vivo e apresentações que exigiam leitura rápida, domínio de repertório e capacidade de adaptação.

Dante permaneceu ligado à Rádio Nacional até o fim da vida, completando aproximadamente 33 anos de trabalho na emissora.


Gravações e composições

A carreira fonográfica de Dante Santoro começou em 1934, quando gravou pela Victor as valsas Beatriz e Saudades do Jango, ambas de Octávio Dutra. Participaram da gravação Luperce Miranda, ao bandolim, e os violonistas Tute e Manoel Lima.

No mesmo ano, registrou Hilda, sua primeira composição gravada. A partir daí, construiu um repertório formado principalmente por choros e valsas, alternando gravações como solista e trabalhos com seu regional.

Entre suas obras mais conhecidas estão:

  • Só na minha flauta
  • Olhos magos
  • Harmonia selvagem
  • Quando a minha flauta chora
  • Flauta selvagem
  • Inferno de Dante
  • Não tem pra ti
  • Teu feitiço
  • Vidas mal traçadas
  • Lágrimas de rosa

Composta em parceria com Kid Pepe, Lágrimas de rosa ganhou projeção nacional na gravação realizada por Orlando Silva em 1937. Outra obra de destaque foi Vidas mal traçadas, parceria com Sila Gusmão lançada por Francisco Alves em 1948 e posteriormente registrada pelo próprio regional de Dante.

Os registros preservados na Discografia Brasileira reúnem dezenas de composições e gravações realizadas entre as décadas de 1930 e 1950. Sua última sessão fonográfica ocorreu em 1956, quando gravou a polca Mate amargo, parceria com Ghiaroni, e a valsa Posso sofrer.


Fontes

  • Instituto Casa do Choro. Verbete biográfico e catálogo de obras de Dante Santoro.
  • Instituto Moreira Salles. Discografia Brasileira e Acervo José Ramos Tinhorão.
  • Acervo Dante Santoro, projeto Choro Patrimônio, Universidade Federal de Pelotas.
  • Arthur de Faria. “Dante Santoro, o Canário Rio-Grandense”, série Porto Alegre: uma biografia musical.

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