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Copinha – flautista e compositor brasileiro

Conheça Nicolino Cópia, o Copinha: flautista, compositor e maestro brasileiro, figura central no choro, na bossa nova e na música popular do século XX.

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Introdução

Nicolino Cópia, conhecido como Copinha (São Paulo, 3 de março de 1910 – Rio de Janeiro, 4 de março de 1984), foi flautista, saxofonista, clarinetista, compositor, arranjador e maestro. Um dos grandes flautistas brasileiros do século XX, teve uma trajetória que atravessou o choro, o rádio, as grandes orquestras, a bossa nova e algumas das principais gravações da música popular brasileira.

Embora dominasse diferentes instrumentos de sopro, foi com a flauta que construiu sua identidade. Seu fraseado preciso e elegante fez de Copinha um músico especialmente valorizado tanto como solista quanto no acompanhamento.

Formação e primeiros anos

Filho de imigrantes italianos e parte de uma família de nove irmãos ligados à música, Copinha começou a estudar aos sete anos, orientado pelo irmão mais velho, Vicente. Aos nove já tocava flauta e acompanhava o violonista Américo Jacomino, o Canhoto, em serenatas. Anos depois, lembraria que o repertório das serenatas dependia de quem recebia a homenagem: para uma garota que gostava de tango, tocava tango; para outra que preferia choro, tocava choro. Era versátil.

Mais tarde estudou clarinete e saxofone no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Na década de 1930 iniciou a carreira profissional em cinemas e programas de rádio, tocando ao lado de músicos como Garoto e Armandinho.

Integrando a Orquestra Colúmbia, do maestro Gaó, mudou-se para o Rio de Janeiro ainda naquela década. Na nova cidade passou a trabalhar em teatros, cassinos e casas noturnas, além de tocar com Pixinguinha no Dancing Eldorado.

Das orquestras aos grandes estúdios

Na década de 1940, Copinha formou sua própria orquestra e se tornou um dos principais acompanhantes de cantores do período. Ao longo dos anos trabalhou com nomes como Francisco Alves, Carmen Miranda, Orlando Silva, Aracy de Almeida e Dorival Caymmi.

Com a transformação da indústria musical, adaptou-se também aos estúdios de gravação, tornando-se um dos instrumentistas mais requisitados do país. Sua flauta aparece em discos fundamentais de diferentes gerações, de Elizeth Cardoso e João Gilberto a Cartola, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Milton Nascimento, Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Um de seus registros mais conhecidos está na introdução de Chega de Saudade, no primeiro LP de João Gilberto, de 1959. Copinha também participou de Canção do Amor Demais, de Elizeth Cardoso, disco decisivo para o surgimento da bossa nova.

Copinha e o choro

Apesar da intensa atividade como músico de estúdio e maestro, Copinha manteve uma ligação profunda com o choro. Sua formação vinha da tradição dos conjuntos de sopros e cordas, das serenatas e da convivência com músicos como Canhoto, Garoto e Pixinguinha.

Em 1977 participou do histórico Choro na Praça, gravado ao vivo no Teatro João Caetano. O encontro reuniu alguns dos principais solistas do gênero, entre eles Waldir Azevedo, Abel Ferreira, Paulo Moura, Joel Nascimento e Zé da Velha. Copinha interpretou também duas de suas próprias composições, Amolador e Margarida.

Nos últimos anos de carreira aproximou-se de uma nova geração de chorões. No disco Amando Sempre, de 1981, foi acompanhado por jovens músicos como Raphael Rabello e Luciana Rabello, interpretando obras de Radamés Gnattali, Pixinguinha, Garoto e Patápio Silva, além de composições próprias. O flautista e saxofonista Eduardo Neves contou que, ainda adolescente, procurou Copinha depois de vê-lo na televisão e passou a ter aulas com ele. Mais do que técnica, lembraria depois ter recebido do mestre “a poesia da música”.

Essa ligação entre diferentes gerações é uma das marcas de sua trajetória. Copinha participou da música profissional desde os anos 1930, conviveu com alguns dos grandes nomes da velha guarda e continuou ocupando lugar de destaque no choro até o início dos anos 1980.

Compositor

Copinha deixou cerca de vinte composições, entre choros, valsas e peças de caráter seresteiro. Entre suas obras estão:

  • Amando Sempre
  • Amolador
  • Margarida
  • Será que é isso?
  • Saudade (de Carolina)
  • Reconciliação

Mais lembrado como intérprete e acompanhante, Copinha deixou uma contribuição decisiva para a tradição brasileira da flauta. Sua presença une diferentes momentos da história do choro, das serenatas paulistas e da convivência com Pixinguinha às rodas e gravações da geração de Raphael Rabello e Luciana Rabello.

Discografia selecionada

  • Choro na Praça — 1977
  • Copinha interpreta Bonfiglio de Oliveira — 1979
  • Amando Sempre — 1981

Fontes

  • Instituto Casa do Choro. Acervo de Nicolino Cópia, o Copinha.
  • Instituto Moreira Salles. Rádio Batuta e acervo discográfico, especialmente os registros Choro na Praça e Amando Sempre.
  • COPINHA. A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes: Copinha. São Paulo: SESC São Paulo / Fundação Padre Anchieta, 2000. Gravação original do programa MPB Especial, TV Cultura, 2 out. 1974. Direção de Fernando Faro.
  • FIGUEIREDO, Afonso Cláudio Segundo de. Improvisação no Saxofone: a prática da improvisação melódica na música instrumental do Rio de Janeiro a partir de meados do século XX. Rio de Janeiro: UNIRIO, 2005. Tese de Doutorado em Música.

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