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Chiquinho do Acordeom: acordeonista e compositor de choro - Choropedia

Conheça a trajetória de Chiquinho do Acordeom, acordeonista que integrou o Trio Surdina e os conjuntos de Radamés Gnattali, consolidando o acordeom no choro brasileiro.

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Chquinho do acordeom

Introdução

Romeu Seibel, conhecido como Chiquinho do Acordeom (Santa Cruz do Sul, 7 de novembro de 1928 – Rio de Janeiro, 13 de fevereiro de 1993), foi acordeonista e compositor brasileiro. Tornou-se um dos nomes fundamentais da presença do acordeom no choro e na música instrumental brasileira.

Sua trajetória esteve ligada a alguns dos principais músicos de sua geração, especialmente Garoto, Fafá Lemos e Radamés Gnattali. Com eles, ajudou a explorar um acordeom menos associado apenas aos bailes e à música regional, integrado à linguagem dos pequenos conjuntos instrumentais e ao diálogo característico do choro.

Do Rio Grande do Sul à Rádio Nacional

Chiquinho começou a tocar acordeom ainda criança. Aos oito anos ganhou do pai seu primeiro instrumento e, em 1937, iniciou os estudos com a professora Marieta Heuser, uma das professoras mais reconhecidas da região.

Em 1949, após uma primeira passagem pelo Rio de Janeiro com seu trio, Chiquinho decidiu se mudar definitivamente para a cidade em busca de novas oportunidades profissionais. Começou tocando em casas noturnas e logo passou a integrar o Regional de Claudionor Cruz.

Pouco depois, ingressou na Rádio Nacional, um dos principais centros da música brasileira naquele período. Ali conviveu com instrumentistas, compositores e arranjadores ligados ao samba e ao choro, ambiente decisivo para o desenvolvimento de sua linguagem.

Em 1952 passou a integrar o Trio Surdina, ao lado de Garoto, no violão, e Fafá Lemos, no violino. Criado a partir do programa Música em Surdina, o trio desenvolveu uma sonoridade camerística, baseada no diálogo e nos contracantos entre os três instrumentos.

Essa formação foi particularmente importante para o acordeom. Nas mãos de Chiquinho, o instrumento podia acompanhar, responder à melodia ou assumir a própria linha principal, ocupando um espaço semelhante ao dos instrumentos tradicionalmente ligados aos regionais de choro.

Chiquinho e Radamés Gnattali

A partir da década de 1950, Chiquinho estabeleceu uma longa parceria com Radamés Gnattali. Integrou seus conjuntos instrumentais e participou do Sexteto Radamés Gnattali, que realizou uma turnê pela Europa em 1960.

Em 1977, Radamés escreveu para Chiquinho o Concerto para acordeom e orquestra de cordas, colocando o acordeom como instrumento solista em uma obra que une elementos da música de concerto à linguagem da música popular brasileira.

O acordeom no choro

Embora o acordeom tenha ocupado diferentes espaços na música brasileira, de Luiz Gonzaga aos conjuntos de baile, Chiquinho tornou-se uma referência particular dentro do choro.

Seu instrumento aparece integrado à tradição dos regionais e aos conjuntos de Radamés, dividindo espaço com violões, cavaquinho, bandolim e percussão. Chiquinho ajudou a demonstrar que o acordeom podia participar naturalmente da linguagem do choro.

Sua importância é reconhecida também pelas gerações seguintes. O acordeom permaneceria presente no choro através de músicos como Sivuca, Dominguinhos, Orlando Silveira e tantos outros, formando uma tradição que continua ativa até hoje.

Compositor e últimos trabalhos

Chiquinho também deixou composições próprias e parcerias. Entre elas estão São Paulo quatrocentão, com Garoto, Esquina da saudade, com Radamés Gnattali e Alberto Ribeiro, e Acalanto para Juliana e Rabo de fita, com Sivuca.

Em 1984, encontrou-se com Sivuca no disco Sivuca & Chiquinho do Acordeom, dedicado à música instrumental. Nos últimos anos de carreira continuou gravando e retomou sua parceria com Radamés no projeto Retratos, ao lado de Raphael Rabello e da Orquestra de Cordas Brasileiras.

Entre o Trio Surdina, os conjuntos de Radamés e décadas de gravações, Chiquinho ajudou a estabelecer definitivamente o acordeom como uma das vozes possíveis do choro brasileiro.

Fontes

  • Instituto Casa do Choro — Acervo de Chiquinho do Acordeom e documentação sobre Radamés Gnattali.
  • Instituto Moreira Salles — Rádio Batuta, Discografia Brasileira e acervo de música.
  • Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira — verbete “Chiquinho do Acordeom”.
  • Acervo Radamés Gnattali — documentação e catálogo de obras.

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