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Carolina Cardoso de Menezes: pianista e compositora de choro

Conheça a trajetória de Carolina Cardoso de Menezes, pianeira brasileira que atuou no rádio, gravou discos e compôs choros e sambas.

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Carolina Cardoso de Menezes

Introdução

Carolina Cardoso de Menezes (Rio de Janeiro, 27 de maio de 1913 – Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 2000) foi pianista, compositora e arranjadora brasileira, com longa atuação no choro, no samba, no rádio e na indústria fonográfica.

Ligada à tradição dos pianeiros, desenvolveu uma linguagem em que o piano assume simultaneamente funções de baixo, harmonia, melodia, contracanto e ritmo. Sua trajetória atravessou mais de sete décadas da música brasileira, dos primeiros anos do rádio às salas de concerto do final do século XX.


Formação e primeiros anos

Carolina nasceu em uma família de músicos. Seu pai, Oswaldo Cardoso de Menezes, era pianista popular e compositor, enquanto sua mãe, Mercedes Gertrudes, conhecida como Dona Sinhá, também tocava piano nas reuniões familiares.

Começou a tocar ainda criança, inicialmente de ouvido. Aos 13 anos iniciou os estudos formais com Zaíra Braga e posteriormente estudou com Gabriel de Almeida e Paulino Chaves. Frequentou o Instituto Nacional de Música, onde concluiu o curso de Teoria e Solfejo em 1930, e teve aulas de harmonia com seu primo Newton Pádua. Também recebeu algumas aulas de Chiquinha Gonzaga, amiga da família.

Sua estreia no rádio aconteceu em 1928, aos 15 anos, na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Dois anos depois passou a trabalhar profissionalmente na emissora após vencer um concurso para pianista.

Em 1929 participou da gravação do samba Na Pavuna, de Almirante e Homero Dornelas, interpretado pelo Bando de Tangarás. Em 1931 realizou suas primeiras gravações como solista, registrando obras como Good-bye, Ela me trata bem, Comigo mesma e Eu passo.


O rádio e as gravações

Durante a década de 1930, Carolina passou por importantes emissoras cariocas, entre elas as rádios Sociedade, Educadora, Philips, Mayrink Veiga e Rádio Club.

Em 1935 foi contratada pela Rádio Tupi, onde trabalhou como solista, acompanhadora e apresentadora de um programa diário. Em 1949 tornou-se solista da Rádio Nacional, uma das principais emissoras do país durante a Era do Rádio.

Na Nacional apresentou durante anos o programa semanal Carolina e seu piano, cuja abertura era sua própria composição Preludiando. Permaneceu ligada à emissora até sua aposentadoria, em 1968.

Além da carreira como solista, acompanhou cantores e participou de numerosos registros fonográficos, tornando-se uma presença constante no rádio e nos estúdios brasileiros durante várias décadas.


O piano e o choro

Carolina costumava se definir como pianeira, identificando-se com a tradição dos pianistas populares brasileiros que atuavam em cinemas, teatros, bailes e casas de diversão.

Em seu piano, a mão esquerda assume papel fundamental, alternando baixos, acordes e deslocamentos rítmicos, enquanto a mão direita desenvolve melodias sincopadas, oitavas, ornamentos e contracantos. Sua maneira de tocar permitia que o instrumento reproduzisse sozinho funções que, em uma roda de choro, normalmente seriam distribuídas entre vários músicos.

Carolina também incorporou procedimentos próximos ao stride piano, adaptando os saltos da mão esquerda ao vocabulário rítmico do samba e do choro.

Sua interpretação não se limitava à reprodução das partituras. Introduções, variações melódicas, alterações de articulação e reorganizações rítmicas faziam parte de sua maneira de tocar, conferindo personalidade mesmo às obras de outros compositores.

Essa relação pode ser ouvida especialmente em suas gravações dedicadas a Ernesto Nazareth. Em 1952 lançou Carolina Cardoso de Menezes interpreta Ernesto Nazareth e, em 1957, Carolina toca Nazareth, aproximando sua própria linguagem da tradição do piano popular brasileiro representada pelo compositor.


Compositora

A produção de Carolina atravessa diferentes gêneros da música popular brasileira, incluindo choros, sambas, valsas, fox-trots, baiões, boleros e marchas.

Entre seus choros estão Comigo é assim, Eu sou do barulho, Expressinho, Pombo-correio, Regressando, Curió dengoso e Derrapando na Gávea.

Também compôs Preludiando, utilizado como abertura de seu programa na Rádio Nacional, além de obras como Caboclinha, desenvolvida com seu pai Oswaldo Cardoso de Menezes, Tudo cabe num beijo, com Oswaldo Santiago, Gibi Bacurau, Lembrança de Noel, com Armando Fernandes, e Brasil Rock.

Em trabalhos mais tardios registrou ainda peças como Duas Américas e Bachianas Cariocas nº 1.


Obras importantes

Entre suas composições estão:

  • Comigo é assim
  • Eu sou do barulho
  • Expressinho
  • Pombo-correio
  • Regressando
  • Curió dengoso
  • Derrapando na Gávea
  • Preludiando
  • Caboclinha
  • Tudo cabe num beijo
  • Gibi Bacurau
  • Lembrança de Noel

Discografia selecionada

  • Carolina Cardoso de Menezes interpreta Ernesto Nazareth – 1952
  • Carolina toca Nazareth – 1957
  • Reminiscências
  • Sucessos em desfile
  • Lembrando Carmen Miranda
  • Carolina viaja pelas cidades do mundo
  • Boite Carolina
  • Tapete mágico
  • Um mundo de músicas
  • Carolina no samba
  • Os pianeiros – 1986
  • Fafá e Carolina, com Fafá Lemos – 1989
  • Preludiando – 1997

Fontes

  • Instituto Casa do Choro. Acervo e documentação sobre Carolina Cardoso de Menezes.
  • Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Verbete “Carolina Cardoso de Menezes”.
  • Instituto Piano Brasileiro. Documentação sobre Carolina Cardoso de Menezes e o piano popular brasileiro.
  • Instituto Moreira Salles. Discografia Brasileira e acervo de gravações históricas.
  • MADEIRA, Maria Teresa. Carolina Cardoso de Menezes, a pianeira. Tese de doutorado, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2016.

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