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Armandinho (Armando Macedo) - Choropedia

Biografia de Armandinho, bandolinista e guitarrista baiano, figura central na guitarra baiana e no choro, com carreira solista e em A Cor do Som.

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Introdução

Armando da Costa Macedo, conhecido como Armandinho (Salvador, Bahia, 22 de maio de 1953), é instrumentista, compositor e cantor brasileiro. Bandolinista e guitarrista, tornou-se uma das figuras centrais no desenvolvimento da guitarra baiana e construiu uma trajetória que aproxima o choro, o frevo, o rock e a música instrumental brasileira.

Filho de Osmar Macedo, um dos criadores do trio elétrico ao lado de Dodô, Armandinho cresceu em um ambiente no qual o bandolim, o choro e a experimentação com instrumentos elétricos faziam parte da vida cotidiana. Essa combinação seria determinante para sua linguagem musical.


Formação e primeiros anos

Armandinho começou a tocar bandolim ainda criança, orientado pelo pai. Em 1962 participou do Trio Elétrico Mirim e, alguns anos depois, formou o grupo de rock Hell's Angels, experiência que acrescentou a linguagem da guitarra elétrica às referências brasileiras de sua formação.

Em 1968 ganhou projeção nacional ao participar do programa A Grande Chance, apresentado por Flávio Cavalcanti na TV Tupi. Seu desempenho ao bandolim levou à contratação pela emissora e às primeiras gravações profissionais.

Desde cedo, seu vocabulário instrumental reuniu duas vertentes que permaneceriam inseparáveis em sua carreira: de um lado, o fraseado do bandolim e a tradição de músicos como Jacob do Bandolim e Garoto; de outro, a sonoridade, o ataque e a liberdade associados à guitarra elétrica.


O trio elétrico e a guitarra baiana

A partir da década de 1970, Armandinho passou a ocupar posição de destaque no Trio Elétrico de Dodô e Osmar, que adotaria o nome Trio Elétrico de Armandinho, Dodô e Osmar. Ao lado dos irmãos e de músicos como Moraes Moreira, participou da transformação do trio elétrico em uma formação cada vez mais próxima de uma banda.

Também teve papel decisivo no desenvolvimento da guitarra baiana, instrumento derivado dos antigos instrumentos elétricos criados por Dodô e Osmar. Armandinho contribuiu para consolidar sua identidade, ampliar suas possibilidades técnicas e desenvolver modelos com maior extensão, incluindo a versão de cinco cordas.

Em suas mãos, a guitarra baiana passou a incorporar recursos da guitarra de rock sem abandonar a afinação em quintas e o fraseado ligado ao bandolim. Choros, frevos e passagens virtuosísticas puderam assim ganhar amplificação, maior sustentação das notas e uma nova intensidade sonora.


A Cor do Som

Entre 1975 e 1977, Armandinho integrou a banda de Moraes Moreira, ao lado de Dadi Carvalho e Gustavo Schroeter. Dessa experiência surgiu A Cor do Som, formado em 1977 com Mú Carvalho e, posteriormente, Ary Dias.

Uma das primeiras apresentações do grupo ocorreu no Festival Nacional do Choro, com a composição Espírito infantil. A presença de guitarra baiana, baixo elétrico, teclados e bateria dentro de um festival dedicado ao choro chamou atenção para uma proposta que combinava música instrumental brasileira e instrumentos associados ao rock.

A Cor do Som desenvolveu uma linguagem baseada no encontro entre frevo, choro, ritmos nordestinos, rock, jazz e música popular brasileira. Em 1978 apresentou-se no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, e nos anos seguintes alcançou grande projeção nacional.

Armandinho permaneceu na formação até 1982, deixando registros importantes em discos como A Cor do Som, Ao Vivo em Montreux, Frutificar, Transe Total e Mudança de Estação.


O bandolim e o choro

Embora a guitarra baiana tenha se tornado uma de suas marcas mais reconhecidas, Armandinho nunca abandonou o bandolim. Em sua carreira instrumental, aprofundou a relação com o repertório do choro em encontros com músicos como Raphael Rabello, Paulo Moura e o Época de Ouro.

O diálogo com Raphael Rabello resultou no álbum Raphael Rabello e Armandinho em Concerto, lançado em 1997 a partir de uma apresentação realizada no Rio de Janeiro em 1994. O repertório reúne peças de autores como Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo e Osmar Macedo.

Em Retocando o Choro, de 1999, Armandinho voltou-se diretamente para o gênero, interpretando obras como Lamentos, de Pixinguinha, Assanhado e Santa Morena, de Jacob do Bandolim, e Lamentos do Morro, de Garoto, ao lado de composições próprias e peças relacionadas à música baiana.

Seu toque se caracteriza pela velocidade, improvisação e grande domínio técnico, transportando para o bandolim e para a guitarra baiana elementos aprendidos tanto na tradição do choro quanto na guitarra elétrica.


Obras importantes

Entre suas composições e parcerias estão:

  • Dança do Tempo
  • Zanzibar
  • Saravejo, com Pepeu Gomes
  • Davilicença, com Moraes Moreira
  • Não Vou Calar, com Fred Góes

Sua produção atravessa diferentes momentos da música instrumental e popular brasileira, reunindo peças ligadas ao choro, ao carnaval baiano e à experiência de A Cor do Som.


Discografia selecionada

  • Brasileirô — 1989
  • Instrumental no CBB: Época de Ouro e Armandinho — 1993
  • Raphael Rabello e Armandinho em Concerto — 1997
  • Retocando o Choro — 1999
  • A Voz do Bandolim: Caetano & Gil — 2001
  • Retocando o Choro ao Vivo — 2003
  • Pop Choro — 2009
  • Afrobossanova, com Paulo Moura — 2009

Fontes

  • Instituto Casa do Choro. Acervo e documentação sobre o choro brasileiro.
  • Instituto Moreira Salles. Acervo José Ramos Tinhorão e documentação sobre A Cor do Som e a guitarra baiana.
  • Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Verbete “Armandinho” e verbete “A Cor do Som”.
  • Discografia Brasileira. Registros fonográficos de Armandinho Macedo.
  • Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Entrevista com Armandinho Macedo.
  • Cultura FM. Programa Supertônica: Armandinho Macedo, a guitarra baiana.

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