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Álvaro Sandim | Compositor e trombonista do choro

Álvaro Sandim foi compositor e trombonista carioca, autor de Flor do Abacate, clássico do choro ligado aos ranchos carnavalescos do início do século XX.

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Introdução

Álvaro Sandim foi compositor e trombonista carioca ligado à geração de músicos que ajudou a formar a linguagem do choro nas primeiras décadas do século XX. Sua trajetória esteve profundamente ligada aos ranchos carnavalescos do Rio de Janeiro, ambientes onde instrumentistas, compositores e arranjadores circulavam entre o carnaval, os bailes e as rodas de choro.

Embora sua obra conhecida seja pequena, Sandim deixou um dos clássicos mais duradouros desse repertório: Flor do Abacate.


Dos ranchos ao choro

Os ranchos carnavalescos eram agremiações que desfilavam pelas ruas do Rio de Janeiro, sobretudo entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do XX. Apesar do nome, não tinham relação com propriedades rurais. Reuniam músicos, cantores, fantasias, estandartes e cortejos temáticos. Suas formações combinavam instrumentos de sopro e cordas e um repertório de marchas, maxixes e outros gêneros populares. Não por acaso, muitos músicos fundamentais para a formação do choro passaram por esses grupos.

Em 1911, Sandim integrava a Sociedade Carnavalesca Ninho do Amor, onde atuou ao lado de músicos como o jovem Romeu Silva, que mais tarde se tornaria maestro e teria importante carreira no Brasil e no exterior.

Pouco depois, aproximou-se do rancho Flor do Abacate, sediado inicialmente no Largo do Machado. A agremiação reunia alguns dos melhores instrumentistas do período e mantinha forte rivalidade com o Ameno Resedá, outro dos grandes ranchos cariocas.

Sandim tornou-se diretor de harmonia do grupo e tocava trombone em sua orquestra. Essa posição ajuda a entender sua música: ela nasceu no encontro entre a escrita instrumental, a tradição das bandas, o carnaval e a maneira de tocar dos chorões.


Flor do Abacate

Em 1915, Sandim transformou o nome de seu rancho em música. Flor do Abacate foi composta como homenagem à agremiação e rapidamente ultrapassou o ambiente carnavalesco.

Já em 1916, a peça recebeu um registro fonográfico pelo Grupo Faceiro. Com o passar das décadas, tornou-se parte do repertório tradicional do choro, sobrevivendo muito além do próprio rancho que lhe deu origem.

A obra também chamou a atenção de Pixinguinha. Em 1947, ele escreveu um arranjo de Flor do Abacate para a Orquestra do Pessoal da Velha Guarda, projeto dedicado à recuperação da música popular carioca das gerações anteriores. A composição voltaria a aparecer em gravações dirigidas por Pixinguinha, entre elas o disco A Velha Guarda, de 1955.

Esse percurso ajudou a transformar uma música ligada ao carnaval de 1915 em peça transmitida por sucessivas gerações de chorões.


Outras obras

O repertório preservado de Álvaro Sandim inclui também Corbeille, um schottisch, e E vem vovó, maxixe que já circulava antes de Flor do Abacate.

E vem vovó foi gravado em 1913 pelo Choro Carioca, conjunto do qual participava um Pixinguinha ainda adolescente. O registro mostra que Sandim já estava inserido no ambiente dos primeiros grupos de choro que chegaram aos discos no Rio de Janeiro.

Entre as obras atualmente preservadas estão:

  • Corbeille — schottisch
  • E vem vovó — maxixe
  • Flor do Abacate — maxixe

A importância de Álvaro Sandim para o choro

A trajetória de Sandim revela um período em que as fronteiras entre choro, maxixe, polca, música de baile e carnaval ainda eram especialmente fluidas. Os mesmos músicos podiam tocar nos ranchos, nas sociedades carnavalescas, nos bailes e nos pequenos conjuntos instrumentais que ajudariam a consolidar o choro.

Sandim pertenceu diretamente a esse mundo.

Sua produção conhecida é reduzida, mas Flor do Abacate tornou-se suficiente para manter seu nome vivo. Gravada, arranjada e retomada por diferentes gerações, a peça permanece como um elo entre o carnaval carioca do início do século XX e o repertório que ainda hoje circula nas rodas de choro.

Fontes

  • Instituto Casa do Choro — acervo de Álvaro Sandim e catálogo de partituras.
  • Instituto Moreira Salles — Discografia Brasileira e Acervo Pixinguinha.
  • Moraes, Eneida de. História do carnaval carioca. Rio de Janeiro: Record, 1987.

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