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Albertino Pimentel (Carramona) - Choropedia
Conheça a vida e a obra de Albertino Pimentel, o Carramona: trompetista, compositor e regente, figura-chave do choro carioca.

Introdução
Albertino Inácio Pimentel, conhecido como Carramona (Rio de Janeiro, 12 de abril de 1874 — Rio de Janeiro, 6 de agosto de 1929), foi trompetista, compositor e regente brasileiro.
Ligado às bandas de música, aos ranchos carnavalescos e às rodas de choro, fez parte de uma geração fundamental para a formação da música popular carioca. Foi primeiro pistom, contramestre e, mais tarde, regente da Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, sucedendo Anacleto de Medeiros.
Como compositor, deixou mais de setenta obras, entre polcas, valsas, schottisches, quadrilhas, mazurcas, dobrados e choros.
Formação e primeiros anos
Carramona iniciou seus estudos musicais na banda do Colégio dos Meninos Desvalidos de Vila Isabel, instituição que formou diversos instrumentistas no Rio de Janeiro do final do século XIX.
As bandas eram uma das principais escolas para os músicos populares daquele período. Ali se aprendia leitura, afinação, articulação e prática de conjunto, conhecimentos que depois circulavam por teatros, bailes, festas, ranchos carnavalescos e rodas de choro.
Foi nesse ambiente que Carramona se formou. Antes de ingressar no Corpo de Bombeiros, passou por diferentes conjuntos e construiu a experiência que o levaria a ocupar uma posição de destaque entre os músicos de sua geração.
A Banda do Corpo de Bombeiros
Em 1900, Carramona entrou para a Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, dirigida por Anacleto de Medeiros, uma das formações mais importantes da música brasileira naquele período.
Atuou como primeiro pistom e contramestre, participando diretamente da organização musical do grupo. Após a morte de Anacleto, em 1907, assumiu a regência da banda.
A formação teve papel importante também nos primeiros anos da indústria fonográfica brasileira. Sob a direção de Carramona, registrou obras como o dobrado Capitão Lustosa, em 1909, a polca Jurema, em 1910, e a valsa Recorda-te, em 1912.
A experiência das bandas marcou profundamente sua música. Em suas composições, a escrita para os sopros convive com melodias e ritmos que também funcionavam nos pequenos conjuntos de choro.
Ranchos, carnaval e choro
Carramona também esteve ligado aos ranchos carnavalescos, especialmente ao Ameno Resedá, um dos mais conhecidos do Rio de Janeiro no início do século XX.
Os ranchos reuniam música, dança, figurinos e encenações e eram um importante espaço de trabalho para compositores e instrumentistas. Carramona frequentava o Ameno Resedá e escreveu diversas peças para o grupo.
Ao mesmo tempo, circulava entre os chorões cariocas e manteve amizade com músicos como Irineu de Almeida, Frederico de Jesus e o capitão João Jupyaçara Xavier.
Essas relações aparecem também em sua obra. O choro Chora, Jesus homenageia Frederico de Jesus, enquanto Jupyaçara leva o nome do amigo João Jupyaçara Xavier. Em 1912, Carramona presenteou o capitão com um caderno manuscrito de suas composições, exemplo de como o repertório circulava entre os músicos antes que muitas dessas peças chegassem ao disco.
A música de Carramona
A obra de Carramona nasceu do encontro entre a tradição das bandas e a linguagem dos chorões cariocas.
Polcas, valsas, schottisches, mazurcas, quadrilhas e dobrados aparecem com frequência em seu catálogo, gêneros que faziam parte do cotidiano musical do Rio de Janeiro na passagem do século XIX para o XX.
Suas melodias são claras e cantáveis, especialmente adequadas aos instrumentos de sopro, enquanto os ritmos e acompanhamentos revelam a proximidade com a prática do choro.
O schottisch, gênero que mais tarde se aproximaria do xote brasileiro, aparece com frequência especial em sua produção. Peças como Botão de rosa, Queixas e Sorriso de Judite mostram a importância desse repertório em sua obra.
Sua música podia circular tanto nas grandes formações de sopro quanto em grupos menores. Em 1912, por exemplo, sua polca Albertina foi gravada pelo Grupo Lulu O Cavaquinho com flauta, cavaquinho e violão. Dez anos depois, Sorriso de Judite foi registrada pelo Grupo do Pimentel com violão, cavaquinho, saxofone e trombone.
Fantasia ao luar
Uma das composições mais interessantes de Carramona é a polca Fantasia ao luar.
A peça circulou inicialmente como música instrumental, mas ganhou uma nova vida quando Catulo da Paixão Cearense escreveu versos para sua melodia. Com o título Templo ideal, transformou-se em modinha e foi gravada pelo cantor Mário Pinheiro em 1910.
A história da composição mostra como eram fluidas as fronteiras entre os gêneros naquele período. Uma mesma melodia podia nascer como polca instrumental, circular entre os chorões e depois se transformar em canção.
Obras importantes
Entre suas composições estão:
- Fantasia ao luar
- Mimasinha
- Jurandy
- Chora, Jesus
- Choques e cheques
- Botão de rosa
- Queixas
- Raios de luar
- Capitão Lustosa
- Jurema
- Recorda-te
- Albertina
- Sorriso de Judite
- Diva
- Jupyaçara
Primeiras gravações
A música de Carramona esteve presente nos primeiros anos da gravação comercial no Brasil.
A Banda da Casa Edison registrou a valsa Mimasinha em 1904. Nos anos seguintes, suas composições foram gravadas pela Banda do Corpo de Bombeiros, pelo Grupo Lulu O Cavaquinho, pelo Grupo do Pimentel e por outros conjuntos ligados ao universo do choro.
Esses registros mostram também a variedade de formações pelas quais sua música circulava, das grandes bandas aos pequenos grupos de flauta, cavaquinho e violão.
Carramona morreu no Rio de Janeiro em 6 de agosto de 1929, aos 55 anos.
A redescoberta de sua obra
Apesar da importância que teve em sua época, Carramona acabou recebendo menos atenção do que alguns de seus contemporâneos.
Parte significativa de seu repertório voltou a circular em 2002, quando a coleção Princípios do Choro, coordenada por Maurício Carrilho, dedicou um volume inteiro às suas composições.
O disco recuperou peças como Chora, Jesus, Coralina, Queixas, Mimosa, Diva, Neréa, Raios de luar, Choques e cheques, Botão de rosa, Jurandy, Marília, Albertina, Sempre-viva, Pérola e Convidativa.
O conjunto ajuda a revelar um compositor situado justamente entre duas gerações decisivas para o choro: a de Anacleto de Medeiros, com quem trabalhou diretamente, e a de Pixinguinha, que se formaria no mesmo universo de bandas, rodas e músicos profissionais do Rio de Janeiro.
Fontes
- Instituto Casa do Choro — acervo, biografia e catálogo de obras de Albertino Pimentel.
- Instituto Moreira Salles / Discografia Brasileira — registros fonográficos de Albertino Pimentel e documentação sobre as primeiras gravações brasileiras.
- Alexandre Gonçalves Pinto — O Choro: reminiscências dos chorões antigos.
- Ary Vasconcelos — Panorama da música popular brasileira na Belle Époque.
- Maurício Carrilho — Princípios do Choro, volume 5.
- Osmário Estevam Júnior e Marcelo Verzoni — O Schottisch no Brasil no fim do século XIX.
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