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Festivais de Choro no Brasil: onde a tradição continua
Panorama dos principais festivais, encontros e iniciativas dedicados ao choro no Brasil — formação, roda e circulação do gênero para além do eixo Rio-São Paulo.

O choro não vive apenas nos discos antigos, nas partituras raras ou na memória dos grandes mestres. Ele acontece, no presente, em rodas, palcos, oficinas, escolas, encontros regionais, clubes e festivais espalhados pelo país.
Desde 2024, quando o Iphan reconheceu o choro como Patrimônio Cultural do Brasil, ficou ainda mais claro que o gênero é menos uma herança guardada no passado do que uma prática viva, compartilhada e em constante recriação.
Nesse movimento, os festivais de choro ocupam lugar central. São eles que reúnem mestres e estudantes, aproximam gerações, formam público, sustentam oficinas, dão visibilidade a instrumentos fundamentais e ajudam a levar o choro para muito além do eixo Rio-São Paulo.
O que segue é um mapeamento de alguns dos principais festivais, encontros e iniciativas ligados ao choro no Brasil — eventos em plena atividade, festivais híbridos, experiências pedagógicas e também projetos históricos que marcaram a circulação do gênero em diferentes regiões.
1. Semana Seu Geraldo de Música — Leme/SP
Realizada em Leme, no interior paulista, a Semana Seu Geraldo de Música é um festival de choro de forte vocação pedagógica e artística. O evento homenageia Seu Geraldo e está enraizado na vida musical da cidade, ligada à trajetória de músicos como Nailor “Proveta” Azevedo.
Oficinas, prática de conjunto, rodas de choro e apresentações formam o coração da programação. Segundo a Base de Dados Choro Patrimônio, a Semana Seu Geraldo teve seis edições entre 2011 e 2016, com professores vindos da Escola Portátil de Música e da Casa do Choro. Após um período sem realização, voltou a aparecer em programações recentes da Prefeitura de Leme e em perfil próprio no Instagram.
Por que é importante: revela o choro como prática de formação, convivência e transmissão oral — não apenas como espetáculo de palco.
Links úteis: Instagram: https://www.instagram.com/semanaseugeraldo/
2. Festival Memória do Cavaquinho Brasileiro — São João del-Rei/MG
Ligado ao projeto Memória do Cavaquinho Brasileiro — dedicado à pesquisa, à preservação e à difusão da história do cavaquinho no país —, este festival já passou pelo Rio de Janeiro e por São João del-Rei, em Minas Gerais. A edição mineira articula oficinas, shows, rodas de choro e apresentações pelos espaços culturais da cidade. Em 2025, chegou à 7ª edição, com programação gratuita em São João del-Rei.
Por que é importante: coloca o cavaquinho no centro do debate. No choro, ele é muito mais do que acompanhamento: participa da base rítmica, da condução harmônica, do fraseado e da própria história solista do gênero.
Links úteis: Site: https://www.memoriadocavaquinho.com.br/ Instagram: https://www.instagram.com/memoriadocavaquinhobrasileiro/
3. Festival Internacional de Choro de Niterói — Niterói/RJ
Entre os eventos recentes dedicados ao gênero, o Festival Internacional de Choro de Niterói é um dos mais relevantes. Promovido pela Prefeitura de Niterói e pela Fundação de Arte de Niterói, reúne, sempre de graça, shows, oficinas, homenagens, jam sessions e atividades de formação.
A edição de 2026 foi anunciada como a IV edição, entre os dias 23 e 26 de abril, no Reserva Cultural de Niterói. Em anos anteriores, o festival juntou músicos brasileiros e convidados internacionais, firmando Niterói como um polo contemporâneo do choro.
Por que é importante: une programação pública, formação musical, circulação de artistas e diálogo entre a tradição e as novas gerações.
Links úteis: Instagram: https://www.instagram.com/choroniteroi/
4. Festival Choro Jazz — Jericoacoara e Fortaleza/CE
O Festival Choro Jazz não é, a rigor, um festival de choro, mas ocupa um lugar de destaque na música instrumental brasileira. Realizado desde 2009, aproxima choro, jazz, música brasileira, improvisação e repertórios regionais, sempre com forte dimensão formativa.
Dividido entre Fortaleza e Jericoacoara, costuma reunir shows, oficinas e apresentações gratuitas com grandes nomes da música brasileira — um bom exemplo de como o choro conversa com outras linguagens sem abrir mão da própria identidade.
Por que é importante: mostra o choro como linguagem aberta, capaz de dialogar com o jazz, a canção brasileira, a música instrumental e as tradições regionais.
Links úteis: Site: https://chorojazz.com/ Instagram: https://www.instagram.com/chorojazz/
5. Festival Sesc de Chorinho e Sanfona de Rosal — Bom Jesus do Itabapoana/RJ
No distrito de Rosal, em Bom Jesus do Itabapoana, no Rio de Janeiro, o Festival Sesc de Chorinho e Sanfona reúne choro, sanfona e música instrumental brasileira. A programação, gratuita e em espaço público, mistura artistas locais e nomes conhecidos do cenário instrumental. Em 2025, o Sesc RJ divulgou uma edição com Paulinho do Bandolim, Silvério Pontes, Marcelo Caldi, Dudu Oliveira e o Trio Madeira Brasil.
Por que é importante: evidencia a conversa entre o choro e outras tradições brasileiras, em especial a música de sanfona e a cultura instrumental do interior.
6. Festival Choro da Casa — Ribeirão Preto/SP
O Festival Choro da Casa nasce do Projeto Choro da Casa, de Ribeirão Preto, que reúne músicos e amantes do gênero em rodas, apresentações e atividades culturais, fortalecendo a cena instrumental local. Em 2025, o festival chegou à 12ª edição, com programação no Teatro Minaz — incluindo bate-papo e show do pianista Hercules Gomes ao lado do Choro da Casa.
Por que é importante: é o retrato de uma cena local organizada, com continuidade, atuação comunitária e ligação direta entre roda, palco e formação de público.
Links úteis: Instagram: https://www.instagram.com/choro_da_casa/
7. ChorandoSemParar — São Carlos/SP
Um dos festivais brasileiros mais importantes ligados ao choro e à música instrumental, o ChorandoSemParar foi criado em 2004 pelo Projeto Contribuinte da Cultura, em São Carlos, com o objetivo de difundir o choro, os gêneros correlatos e a música instrumental brasileira.
A programação combina apresentações, atividades formativas, ações em escolas públicas e shows gratuitos em praças e outros espaços da cidade. A edição de 2025 foi anunciada como a 21ª, com homenagem a Tom Jobim.
Por que é importante: festival de longa duração, com vocação formativa e forte ocupação da cidade pela música instrumental.
Links úteis: Site: https://contribuintedacultura.com.br/festival-chorandosemparar/ Instagram: https://www.instagram.com/chorandosemparar/
8. Festival Mel, Chorinho e Cachaça — Viçosa do Ceará/CE
Em Viçosa do Ceará, o Festival Mel, Chorinho e Cachaça é um evento híbrido por natureza: cruza música, gastronomia, turismo, produção local de mel e cachaça e cultura regional. Ainda que não seja dedicado exclusivamente ao choro, o chorinho integra historicamente sua identidade e sua programação musical — o que faz dele um bom exemplo de como o gênero também circula em festivais culturais mais amplos, ligados ao turismo e à economia criativa.
Por que é importante: mostra o choro fora do circuito estritamente musical, associado à cultura local, à festa pública e à valorização de produtos da região.
Links úteis:
Instagram: https://www.instagram.com/melchorinhoecachaca/
9. Festivais de Choro da EPM / Casa do Choro — Rio de Janeiro e outras cidades
A Escola Portátil de Música e a Casa do Choro são peças-chave na formação de músicos, na preservação de acervos, na difusão de repertório e na transmissão da linguagem do choro. A Base de Dados Choro Patrimônio registra os Festivais de Choro da EPM/Casa do Choro como experiências pedagógicas de peso, realizadas em diferentes cidades e depois reunidas em torno da sede da Casa do Choro, no Rio de Janeiro. Esses festivais ajudaram a firmar um modelo de imersão no choro, com aulas, prática de conjunto, convivência musical e rodas.
Por que é importante: representa a institucionalização do ensino do choro no século XXI sem romper com a roda e com a transmissão entre gerações.
Links úteis: Base Choro Patrimônio: https://acervosvirtuais.ufpel.edu.br/choropatrimonio/acoes-de-ensino/festivais-do-choro-da-epm-casa-do-choro/
10. Festival BH Choro — Belo Horizonte/MG
Evento já consolidado em Belo Horizonte, o Festival BH Choro chegou em 2025 à 14ª edição, com programação gratuita na Praça Duque de Caxias, no bairro Santa Tereza. Voltado ao choro e à música instrumental brasileira, reúne em shows públicos grupos e artistas das cenas mineira e nacional.
Por que é importante: atesta a força do choro em Minas Gerais e o papel dos festivais urbanos gratuitos na formação de público.
Links úteis: Instagram: https://www.instagram.com/bhchoro/
11. Festival de Choro de Avaré — Avaré/SP
No interior paulista, o Festival de Choro de Avaré foi uma experiência importante. Segundo a Base de Dados Choro Patrimônio, começou em 2011 e alcançou a 8ª edição em 2018, reunindo rodas, apresentações e oficinas com músicos renomados. A cidade tem relação histórica com o gênero, sobretudo pela atuação de Jamil Caram, Luiz de Paschoal, Antonio Teixeira de Abreu e Altino Toledo. A mesma base, porém, informa que o Clube do Choro de Avaré está desativado desde 2018 — ano de seu último festival.
Por que é importante: entra aqui como registro histórico, não como festival ativo. É exemplo de como clubes e festivais regionais ajudaram a interiorizar a prática do choro.
Links úteis: Base Choro Patrimônio: https://acervosvirtuais.ufpel.edu.br/choropatrimonio/associacoes-e-clubes/clube-do-choro-de-avare/ Facebook: https://www.facebook.com/clubedochoroavare/
12. Festival de Choro da Serra Gaúcha — São Francisco de Paula/RS
Em São Francisco de Paula, no Rio Grande do Sul, o Festival de Choro da Serra Gaúcha distribui shows, oficinas e rodas de choro por diferentes espaços da cidade. Em 2025, o perfil do evento anunciou sua 4ª edição, com entrada gratuita, oficinas e apresentações de música brasileira ao vivo.
Por que é importante: comprova a circulação do choro no Sul do país e a vitalidade de cenas regionais que combinam formação, roda e programação pública.
Links úteis: Instagram: https://www.instagram.com/festivaldechoro/13. Festival SP Choro in Jazz — São Paulo/SP
Outro evento híbrido, o Festival SP Choro in Jazz aproxima choro, jazz e música instrumental. Em 2025, sua quarta edição foi anunciada no Teatro Paulo Eiró, em São Paulo, com curadoria de Fabio Bergamini e Roberta Valente. O festival trabalha justamente no terreno das aproximações: tradição do choro, improvisação, linguagem jazzística e música instrumental contemporânea.
Por que é importante: afirma o choro como linguagem de diálogo, invenção e recriação.
Links úteis: Instagram: https://www.instagram.com/festivalspchoroinjazz/
14. Festival de Chorinho de Praia Grande — Praia Grande/SP
Programação municipal gratuita, o Festival de Chorinho de Praia Grande se organiza em torno do Dia Nacional do Choro, celebrado em 23 de abril, data de nascimento de Pixinguinha. Em 2026, a Prefeitura de Praia Grande anunciou a 7ª edição, com atividades entre os dias 23 e 26 de abril, em diversos pontos da cidade.
Por que é importante: é um bom modelo de como o poder público municipal pode usar abril para celebrar Pixinguinha e aproximar o público do choro.
15. Festival de Choro João Pernambuco — Pernambuco
O Festival de Choro João Pernambuco presta tributo a João Pernambuco, compositor e violonista fundamental para a história do violão brasileiro. Segundo a Base de Dados Choro Patrimônio, a primeira edição ocorreu em 2016, no Pátio de São Pedro, no Recife. O evento se liga ao movimento Isto É Choro! e às comemorações do Dia Estadual do Choro João Pernambuco, em Pernambuco. Em 2024, a programação estadual incluiu o 5º Festival do Choro João Pernambuco, em Tacaratu e Petrolândia.
Por que é importante: desloca o mapa do choro para Pernambuco e destaca o peso do violão, de João Pernambuco e de outros nomes nordestinos na formação da música brasileira.
Links úteis: Instagram do festival: https://www.instagram.com/festivaljoaopernambuco/
16. Festival Clube do Choro — Brasília/DF
Sediado no Complexo Cultural do Choro, em Brasília, o Festival Clube do Choro está ligado à história do Clube do Choro de Brasília, uma das instituições mais importantes para a preservação e a difusão do gênero no país. Sua programação reúne artistas de várias gerações da música brasileira. Embora seja mais amplo do que um festival estritamente de choro, sua ligação com o Clube do Choro e com a Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello justifica a presença neste mapeamento.
Por que é importante: Brasília é um dos grandes polos institucionais do choro no Brasil, e o Clube do Choro teve papel decisivo na valorização e na patrimonialização do gênero.
Links úteis:
Instagram Clube do Choro: https://www.instagram.com/clubedochoro/ Instagram Complexo Cultural do Choro: https://www.instagram.com/complexodochoro/
17. Festival da Escola de Choro de São Paulo — São Paulo/SP
O 1º Festival da Escola de Choro de São Paulo aconteceu em 2024, na Vila Itororó, com programação gratuita de aulas, masterclasses, shows, exibição de filme e rodas de choro. A Escola de Choro de São Paulo é uma iniciativa voltada ao ensino, à pesquisa e à prática do gênero. Mesmo sem figurar ainda como evento anual consolidado, o festival importa como sinal de renovação pedagógica na cena paulistana.
Por que é importante: mostra o choro como linguagem ensinada, estudada e praticada por novas gerações, em diálogo com escolas, rodas e espaços culturais.
Links úteis: Instagram: https://www.instagram.com/escoladechorosp/
Observações finais
Os eventos reunidos aqui não têm todos o mesmo perfil. Alguns são festivais dedicados diretamente ao choro; outros são festivais de música instrumental, encontros pedagógicos ou eventos híbridos em que o choro ocupa lugar de destaque. Uma divisão útil seria:
Festivais diretamente ligados ao choro
- Semana Seu Geraldo de Música
- Festival Internacional de Choro de Niterói
- ChorandoSemParar
- Festival Choro da Casa
- Festival BH Choro
- Festival de Choro da Serra Gaúcha
- Festival de Chorinho de Praia Grande
- Festival de Choro João Pernambuco
Festivais com recorte instrumental ou pedagógico
- Festival Memória do Cavaquinho Brasileiro
- Festivais de Choro da EPM / Casa do Choro
- Festival da Escola de Choro de São Paulo
- Festival de Choro de Avaré
Festivais híbridos ou de diálogo com outras linguagens
- Festival Choro Jazz
- Festival Sesc de Chorinho e Sanfona de Rosal
- Festival Mel, Chorinho e Cachaça
- Festival SP Choro in Jazz
- Festival Clube do Choro
No fim, os festivais de choro mostram que o gênero não é só tradição preservada em arquivo. Ele segue vivo em encontros reais: no estudante que chega com o instrumento nas costas, no mestre que ensina uma baixaria, na roda que se forma quando o show acaba, no ouvinte que descobre Pixinguinha pela primeira vez e no músico jovem que percebe quanto futuro o choro ainda tem pela frente.
O choro continua acontecendo. E cada festival é um modo de manter essa conversa aberta.
Fontes
- Base de Dados Choro Patrimônio (Acervos Virtuais UFPel). Registro de festivais, clubes e ações de ensino ligados ao choro, incluindo Semana Seu Geraldo, Festivais da EPM/Casa do Choro, Clube e Festival de Choro de Avaré e Festival de Choro João Pernambuco. Disponível em: acervosvirtuais.ufpel.edu.br/choropatrimonio
- Canais oficiais dos festivais (sites, perfis de Instagram e portais de prefeituras citados em cada verbete acima). Fonte para edições, datas e programação das edições recentes.
- Iphan — registro do choro como Patrimônio Cultural do Brasil (2024).
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