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Bandolinistas de Choro em Atividade

Conheça mestres, novos talentos e escolas regionais do bandolim no choro brasileiro, com curadoria baseada na comunidade ChoroLab.

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Introdução

Poucos instrumentos têm uma relação tão forte com o choro quanto o bandolim. Desde Jacob do Bandolim, Luperce Miranda e tantos outros mestres, o instrumento se tornou uma voz central da linguagem chorística: canta a melodia, articula com precisão, improvisa, ornamenta, desafia o acompanhamento e, muitas vezes, conduz a própria personalidade do regional.

A ChoroLab publicou uma lista com bandolinistas de choro em atividade que gerou conversa. O público lembrou nomes fundamentais, cobrou ausências, trouxe artistas de diferentes regiões e mostrou uma coisa importante: o bandolim brasileiro está muito vivo. Nos comentários, apareceram nomes como Izaías Bueno de Almeida, Jane do Bandolim, Joel Nascimento, Jorge Cardoso, Reco do Bandolim, Fábio Peron, Ian Coury, Carrapicho Rangel, Pedro Franco, Marco César, Altino Toledo, Macaúba do Bandolim, Adamor do Bandolim, Daniel Migliavaca, Maik Oliveira, Rafael Esteves, Tiago Tunes, André Ribeiro e muitos outros.

Este verbete não é um ranking. É um mapa inicial para quem quer ouvir o bandolim de choro hoje: mestres vivos, intérpretes consagrados, professores, compositores, pesquisadores e nomes de gerações mais recentes que seguem ampliando os caminhos do instrumento.


Mestres Vivos e Referências Fundamentais

Entre os nomes mais lembrados pelo público, Izaías Bueno de Almeida, também conhecido como Izaías do Bandolim, aparece com força especial. Ligado à história do choro em São Paulo, começou a tocar bandolim ainda criança e tornou-se uma referência central do gênero, especialmente a partir dos anos 1970, com o grupo Izaías e Seus Chorões.

Outro nome incontornável é Joel Nascimento, bandolinista, compositor e arranjador carioca. Sua discografia atravessa décadas, incluindo trabalhos como Chorando pelos Dedos e gravações em diálogo com nomes como Hamilton de Holanda. O Instituto Moreira Salles dedicou a ele um especial de 80 anos na Rádio Batuta, sinal da importância de sua obra para a história do bandolim brasileiro.

Jane do Bandolim, nascida Jane Silvana Corilov, é bandolinista, professora e uma das figuras femininas mais importantes ligadas ao instrumento. Sua trajetória começa na infância e inclui atuação como intérprete do choro e de outros gêneros brasileiros, além de atividade pedagógica continuada.

Na tradição carioca, Déo Rian segue como referência essencial. Formado no ambiente das rodas de choro de Jacarepaguá, estudou bandolim com Moacir Arouca e com o próprio Luperce Miranda. Sua trajetória é profundamente ligada à memória de Jacob do Bandolim e ao conjunto Época de Ouro.

Ronaldo do Bandolim, natural de Petrópolis, integrou o lendário Época de Ouro e o Trio Madeira Brasil, grupo que ajudou a renovar a linguagem das cordas no choro ao lado de Marcello Gonçalves e Zé Paulo Becker.

Pedro Amorim, bandolinista, violonista, compositor e professor ligado à Escola Portátil de Música, foi influenciado por Jacob do Bandolim, Rossini Ferreira e Joel Nascimento. Percorreu o Brasil e o exterior divulgando especialmente o choro e o samba.

Marcílio Lopes merece destaque não apenas como bandolinista, mas como pesquisador. Bacharel em Composição e doutor em Musicologia pela UNIRIO, seu trabalho acadêmico investiga a influência da música cantada na consolidação do estilo de Jacob do Bandolim.


Bandolim, Pesquisa e Escolas Regionais

O bandolim no choro não vive apenas no eixo Rio–São Paulo. Um dos pontos mais importantes levantados pelo público foi justamente lembrar artistas ligados a outras regiões.

Marco César, de Pernambuco, é um dos grandes nomes do bandolim nordestino. Professor, compositor e intérprete, é apontado como um dos responsáveis pela consolidação e renovação da música instrumental pernambucana.

No Ceará, Jorge Cardoso atua como bandolinista, compositor e pesquisador. Sua formação inclui estudos com Elismar Pontes, Marco César e Ugo Orlandi, além de atuação como solista em vários países.

Também no Ceará, Macaúba do Bandolim, nascido José Felipe da Silva, é mestre da cultura popular cearense com mais de seis décadas dedicadas à música. Segue associado às rodas de choro de Fortaleza.

No Pará, Adamor do Bandolim representa uma vertente fundamental: o chamado choro amazônico. Suas composições são influenciadas por ritmos afro-indígenas, carimbó e sonoridades caribenhas, com ligação histórica à Ilha de Marajó.

Em Brasília, Reco do Bandolim ocupa um lugar especial não apenas como instrumentista, mas como articulador institucional. Fundador da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello e presidente do Clube do Choro de Brasília, contribuiu de forma decisiva para transformar a capital federal em polo de ensino e difusão do choro.


Virtuosismo, Composição e Novas Linguagens

Quando se fala em expansão contemporânea do bandolim, Hamilton de Holanda é um nome inevitável. Fundador da primeira escola de choro de Brasília, em 1997, e um dos articuladores que levaram à criação do Dia Nacional do Choro, levou o bandolim de dez cordas a um lugar de enorme visibilidade internacional.

Danilo Brito representa uma linhagem profundamente ligada ao repertório tradicional, à composição e à escuta dos grandes mestres. Autodidata, gravou ainda jovem e construiu carreira reconhecida por técnica e maturidade interpretativa.

Nilze Carvalho é figura essencial para entender o trânsito entre choro e samba. Ainda criança, gravou a série Choro de Menina como bandolinista e depois consolidou carreira ampla como cantora, compositora e instrumentista.

Luis Barcelos, bandolinista, violonista e compositor gaúcho radicado no Rio de Janeiro, dedica-se ao choro, à música instrumental e à canção. Integrou grupos como Bandolinata e o Conjunto Época de Ouro.

Tiago Souza, também conhecido como Tiago do Bandolim, carrega uma ponte direta com a tradição: é filho de Ronaldo do Bandolim. Sua trajetória passa pelo choro carioca dos anos 2000, pelo Regional Carioca e por uma linguagem que mistura tradição, samba, baião, tango e jazz.

Maycon Júlio, integrante do Trio Júlio, representa uma formação familiar e coletiva ligada à Escola Portátil de Música. O trio é formado pelos irmãos Magno, Marlon e Maycon Júlio, este último ao bandolim.


A Geração que Amplia o Mapa

O público também lembrou nomes mais recentes ou menos conhecidos do grande público, mas muito atuantes em rodas, escolas, festivais e projetos autorais.

Fábio Peron é um dos nomes fortes do bandolim de dez cordas. Além de compositor e multi-instrumentista, o álbum Folia de tRreis — com Edu Ribeiro e Toninho Ferragutti — foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum Instrumental.

Ian Coury, nascido em Brasília, é um dos jovens nomes mais internacionais dessa cena. Sua trajetória musical passa por choro, MPB, samba, jazz e world music, com passagem pela Berklee College of Music.

Vitor Casagrande tem atuação importante como intérprete, compositor e professor. Formado em bandolim pelo Conservatório de Tatuí, mestre em música pela UFRJ e professor da Escola de Choro de São Paulo, também desenvolveu materiais de estudo para o instrumento.

Fernando Dalcin aparece associado ao repertório de Jacob do Bandolim e à pesquisa de obras menos conhecidas do compositor. Apresentou o projeto Jacob do Bandolim: Outras Composições, dedicado a clássicos e obras inéditas de Jacob.

Pedro Franco, músico de Porto Alegre, é violonista, bandolinista, compositor e arranjador. Teve seu disco solo indicado ao Prêmio da Música Brasileira e é reconhecido como um dos nomes de destaque de sua geração.

Daniel Migliavaca, de Curitiba, atua como bandolinista, compositor e educador. Seu trabalho pedagógico inclui o ensino de acompanhamento de polca, maxixe, choro e samba.

Maik Oliveira e Rafael Esteves formam o Banduo, projeto paulista que explora as possibilidades sonoras do instrumento entre a tradição do choro, a música de concerto e novas linguagens.

Tiago Tunes, de Brasília, começou nas rodas de choro aos sete anos, estreou nos palcos aos oito e migrou do bandolim de oito para o de dez cordas. É um dos jovens nomes mais atuantes da cena brasiliense.

Eric Diógenes, revelação do choro cearense, dedica-se ao estudo da obra de Jacob do Bandolim. Formou-se com Carlinhos Patriolino, Jorge Cardoso e Vitor Casagrande.

André Ribeiro, ligado ao interior paulista, atua em projetos de choro em Campinas e região, com repertório de Pixinguinha e Altamiro Carrilho e discos gravados.

Caio Vinicius, @caiobandolim, é bandolinista e compositor ligado ao projeto autoral Batuque Negro, com mistura de samba, choro, jazz e forró.


Mulheres no Bandolim: Uma Presença que Precisa Aparecer Mais

A lista inicial e os comentários revelam uma questão importante: ainda falamos pouco das mulheres bandolinistas no choro.

Além de Nilze Carvalho e Jane do Bandolim, o público lembrou Elisa Meyer Ferreira, Laídia Evangelista e Dany Dantas. Elisa integra o Choro das 3, grupo formado pelas irmãs Corina, Elisa e Lia Meyer Ferreira, com trajetória dedicada ao repertório do choro e a composições inéditas.

Laídia Evangelista atua como multi-instrumentista com passagem pelo bandolim. Dany Dantas aparece em programações de choro no Nordeste, especialmente na Paraíba e no Rio Grande do Norte.

Esse é um ponto que merece continuidade: não apenas incluir mulheres numa lista, mas investigar com mais profundidade suas trajetórias, repertórios, gravações, rodas e contribuições pedagógicas.


Outros Nomes Lembrados pelo Público

Além dos nomes já comentados, os comentários citaram Paulinho do Bandolim, Rafael Ferrari, Milton Mori, Henrique Araújo, Elias Barboza, Altino Toledo, Ailton Reiner, João Fernando, Álvaro Gil, Felipi Bastos, Marcelo Jiran, Gabriel Mariotto e Ricardo Calafate. Alguns têm registros públicos de fácil acesso; outros exigem apuração mais cuidadosa de grafia, perfil artístico e atuação atual antes de entrar em uma lista editorial definitiva.

Altino Toledo tem trajetória documentada como professor de bandolim e prática de choro no Conservatório de Tatuí. João Fernando atua como músico ligado ao Casuarina, com repertório de choro, samba e MPB, tocando cavaco, bandolim e guitarra baiana.


Uma Lista Nunca Dá Conta do Instrumento

O mais interessante da reação do público não foi apenas a cobrança por ausências. Foi a demonstração de que o bandolim de choro continua espalhado, vivo e diverso.

Há mestres que preservam a tradição de Jacob, Luperce e Izaías. Há compositores criando repertório novo. Há professores formando novos chorões. Há instrumentistas levando o bandolim para o jazz, para a música de concerto, para o samba, para o frevo, para o carimbó, para o palco internacional e para a roda de bairro.

Por isso, mais do que perguntar "quem ficou de fora?", talvez a melhor pergunta seja: por onde começar a ouvir?

A resposta pode estar justamente nessa pluralidade. Comece pelos mestres. Vá para os discos. Procure as rodas. Ouça as novas gravações. Compare timbres, ataques, ornamentações, levadas, fraseados e escolhas de repertório.

O bandolim no choro nunca foi uma peça de museu. É uma lâmina fina em movimento: corta, canta, responde, provoca e continua abrindo caminhos.


Fontes

  • Instituto Moreira Salles / Rádio Batuta — Especial de 80 anos de Joel Nascimento; fonogramas e entrevistas. Disponível em: ims.com.br
  • EMESP — Escola de Música do Estado de São Paulo — Perfil de Jane do Bandolim. Disponível em: emesp.org.br
  • Instituto Casa do Choro — Acervo de verbetes sobre Jorge Cardoso, Eric Diógenes e demais bandolinistas citados. Disponível em: casadochoro.com.br
  • Choro Patrimônio — Documentação sobre Adamor do Bandolim e o choro amazônico.
  • Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello / Clube do Choro de Brasília — Histórico de Reco do Bandolim como fundador e articulador institucional. Disponível em: clubedochoro.com.br
  • Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira — Verbetes de Joel Nascimento, Trio Júlio e demais músicos citados. Disponível em: dicionariompb.com.br
  • Correio Braziliense — Reportagem sobre Ian Coury, 2026.
  • Conservatório de Tatuí — Registros de Vitor Casagrande e Altino Toledo como professores e instrumentistas.
  • Unesp — Divulgação do projeto Banduo (Maik Oliveira e Rafael Esteves), 2026.
  • Rádio Senado — Perfil de Tiago Tunes.
  • Correio RAC — Reportagem sobre André Ribeiro.
  • Sesc São Paulo — Divulgação de Caio Vinicius e do projeto Batuque Negro.

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