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A roda é onde o choro acontece

Entenda por que a roda de choro é essencial para o aprendizado do músico: study, ouvir, repertório e convivência. Leia nosso artigo.

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A roda é onde o choro acontece

Você pode estudar acordes, levadas, baixarias, solos e improvisação durante horas. Mas é na roda que tudo isso começa a fazer sentido de verdade.

Ali, a música deixa de ser apenas algo que você pratica sozinho e passa a ser uma conversa.

É onde você coloca o estudo à prova

Na roda, não dá para controlar tudo.

O andamento muda um pouco, alguém faz uma inversão diferente, o solista estica uma frase, o cavaquinho propõe outra divisão, o sete cordas responde. De repente, aquele acorde ou aquela baixaria que você estudou em casa precisa funcionar dentro de uma música viva.

É nesse momento que muita coisa se encaixa.

Você percebe o que realmente aprendeu, o que ainda precisa estudar e, principalmente, começa a entender como o seu instrumento se relaciona com os outros.

Você aprende a ouvir

Talvez uma das maiores lições da roda seja justamente essa: tocar menos e ouvir mais.

Você começa a reconhecer caminhos harmônicos, levadas, convenções, frases e maneiras diferentes de acompanhar uma mesma música.

E boa parte desse aprendizado acontece quase sem perceber.

Depois de frequentar rodas por algum tempo, certos acordes, ritmos e movimentos passam a soar familiares antes mesmo que você saiba explicar exatamente por quê.

O repertório cresce naturalmente

Toda roda tem aquela música que você nunca ouviu.

Ou aquela que você conhece, mas nunca tentou tocar.

Você pergunta o nome, procura depois, escuta uma gravação, aprende a harmonia e, algumas semanas mais tarde, ela já entrou para o seu repertório.

É uma maneira muito natural de descobrir compositores, gravações e choros que talvez nunca aparecessem no seu caminho estudando sozinho.

A música aproxima as pessoas

A roda também é uma grande festa.

Você encontra músicos, troca ideias, observa maneiras diferentes de tocar e cria vínculos que muitas vezes vão muito além daquele encontro.

E nem é preciso conversar tanto.

Às vezes você toca durante duas horas com alguém, troca meia dúzia de palavras e sai dali com a sensação de que já conhece aquela pessoa há muito tempo.

Porque, em uma roda, o som também é conversa.

Sempre aparece alguém novo

Pode ser um músico que está de passagem pela cidade, alguém que acabou de descobrir a roda ou uma pessoa que passou semanas criando coragem para finalmente levar o instrumento.

É assim que as rodas se renovam.

Para quem acabou de chegar a uma cidade, inclusive, procurar uma roda de choro pode ser uma das maneiras mais rápidas de conhecer músicos e começar a fazer parte da cena local.

Você chega sem conhecer ninguém e, depois de algumas músicas, já está dentro da conversa.

E, por algumas horas, só existe aquilo

Talvez esse seja um dos maiores prazeres de tocar em roda.

Enquanto a música está acontecendo, todo o resto fica um pouco distante.

Você precisa acompanhar o solista, ouvir o baixo, perceber a levada, lembrar a próxima parte, reagir ao que acabou de acontecer.

Não sobra muito espaço para pensar em outra coisa.

Por algumas horas, existe apenas o som, as pessoas ao redor e aquela música sendo construída coletivamente.

É por isso que estudar é tão importante.

Mas é também por isso que, em algum momento, é preciso fechar a porta do quarto, pegar o instrumento e ir para a roda.

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