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10 flautistas contemporâneos do choro para ouvir
Conheça 10 flautistas contemporâneos ligados ao choro e à música instrumental brasileira — uma seleção para abrir caminhos de escuta.

Introdução
A flauta está no coração do choro desde o nascimento do gênero. Antes mesmo de o choro se consolidar como linguagem, a flauta já aparecia como uma das vozes principais das rodas, conduzindo melodias, improvisando variações, dialogando com violões, cavaquinhos e pandeiros.
Quando pensamos na história da flauta no choro, é quase inevitável lembrar de nomes como Joaquim Callado, Viriato Figueira, Pixinguinha, Benedito Lacerda e Altamiro Carrilho. Eles ajudaram a formar a espinha dorsal dessa tradição. Mas o choro não vive apenas da memória. Ele continua sendo tocado, estudado, reinventado e transmitido por músicos em atividade.
Neste artigo, reunimos 10 flautistas contemporâneos ligados ao universo do choro e da música instrumental brasileira. Não se trata de um ranking definitivo, mas de uma seleção para abrir caminhos de escuta e mostrar como a flauta segue viva dentro do choro atual.
1. Toninho Carrasqueira
Toninho Carrasqueira é um dos grandes nomes da flauta brasileira. Sua trajetória transita com naturalidade entre a música de concerto, a música popular e o choro, o que faz dele uma referência importante para quem pensa a flauta de forma ampla.
Sua formação sólida, sua atuação como professor e sua relação com o repertório brasileiro ajudam a colocá-lo como uma ponte entre diferentes mundos: o rigor técnico da escola erudita, a expressividade da música popular e a tradição melódica do choro.
No choro, Carrasqueira representa uma vertente em que a clareza do som, o controle técnico e a elegância da frase se encontram com a malícia rítmica e a liberdade interpretativa do gênero.
2. Dirceu Leitte
Dirceu Leitte é um dos grandes nomes dos sopros no Brasil. Flautista, saxofonista, clarinetista e multi-instrumentista, construiu uma trajetória marcada pela versatilidade e pela presença em diferentes ambientes da música brasileira.
No universo do choro, sua importância passa pelo domínio da linguagem dos sopros, pela relação com o repertório instrumental e pela capacidade de circular entre tradição e modernidade. Mas é importante lembrar também seu peso no samba: Dirceu é um nome forte no samba e no choro, presente em dezenas de gravações emblemáticas da música brasileira.
Essa circulação entre rodas, palcos, estúdios e grandes artistas faz dele um músico fundamental para entender como a linguagem do choro se comunica com outros gêneros brasileiros. Sua flauta não aparece isolada: ela faz parte de uma tradição maior dos sopros na música popular.
3. Marcelo Bernardes
Marcelo Bernardes é outro nome essencial entre os sopros brasileiros. Multi-instrumentista, atua com flauta, flautim, clarinete e saxofones, tendo uma longa trajetória na música popular brasileira.
Sua carreira passa por gravações, shows, grupos instrumentais e trabalhos ao lado de grandes nomes da MPB. Essa experiência ampla aparece também na forma como se aproxima do choro: com domínio de repertório, maturidade musical e escuta coletiva.
Marcelo é daqueles músicos que mostram como a flauta no choro não depende apenas do virtuosismo. Ela depende também de fraseado, intenção, conhecimento de estilo e capacidade de conversar com o regional.
4. Edu Neves
Edu Neves é flautista, saxofonista, compositor e arranjador. Sua música se move entre o choro, o samba, a gafieira, o jazz e a música instrumental brasileira contemporânea.
Essa mistura não dilui o choro. Pelo contrário: mostra como o choro pode funcionar como matriz para uma linguagem moderna, cheia de balanço, improviso e sofisticação harmônica.
Na flauta, Edu Neves carrega uma sonoridade ligada ao Rio de Janeiro, ao samba e aos sopros brasileiros. É um músico importante para quem quer perceber como a tradição do choro pode continuar viva sem virar peça de museu.
5. Antônio Rocha
Antônio Rocha é um flautista profundamente ligado à tradição do choro. Sua atuação passa pela prática de conjunto, pelo repertório tradicional, pela pesquisa e pela formação musical.
É um nome associado a uma linha de continuidade da flauta chorona: aquela que valoriza a roda, o fraseado, o conhecimento das gravações antigas e a relação direta com os grandes mestres do gênero.
Antônio Rocha representa uma escola em que tocar choro não é apenas executar notas difíceis. É conhecer acentos, respirações, caminhos melódicos e modos de conversar com o violão de sete cordas, o cavaquinho e o pandeiro.
6. Dudu Oliveira
Dudu Oliveira é um dos nomes em atividade que ajudam a mostrar a vitalidade da flauta no choro atual. Multi-instrumentista, compositor, arranjador e produtor musical, tem a flauta como um de seus instrumentos centrais.
Sua trajetória passa pela música popular, pelo choro, pelo samba e por diferentes formações instrumentais. Essa versatilidade aparece em sua maneira de tocar: uma flauta com balanço, domínio de linguagem e forte conexão com a prática viva da música brasileira.
Dudu também representa uma geração que circula entre rodas, palcos, gravações, projetos autorais e redes sociais, ajudando a aproximar o repertório do choro de novos públicos.
7. Naomi Kumamoto
Naomi Kumamoto é uma das figuras mais interessantes da presença internacional do choro. Nascida no Japão e radicada no Brasil, tornou-se uma ponte entre culturas através da flauta, do ensino e da prática musical.
Além de flautista, Naomi também atua como professora de flauta transversa da Escola Portátil de Música, um dos espaços mais importantes de formação ligados ao choro contemporâneo.
Sua trajetória mostra algo muito bonito sobre o choro: embora tenha raízes profundamente brasileiras, essa linguagem pode ser aprendida, amada e recriada por músicos de diferentes partes do mundo. Naomi é exemplo vivo dessa circulação.
8. Morgana Moreno
Morgana Moreno é flautista e compositora baiana, com trajetória ligada ao choro, ao samba-jazz e à música instrumental brasileira. Sua formação passa pela música popular e pela pesquisa da flauta em diálogo com diferentes linguagens.
Seu trabalho chama atenção por unir técnica, lirismo, improvisação e composição. Morgana representa uma geração de instrumentistas que não apenas interpreta repertórios consagrados, mas também cria novas obras e novas possibilidades para a flauta brasileira.
No contexto do choro contemporâneo, sua presença é importante também por ampliar geografias. O choro não está restrito ao eixo Rio-São Paulo: ele respira em Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Goiânia, no exterior e em muitos outros lugares.
9. Leandro Tigrão
Leandro Tigrão é flautista e compositor, com formação sólida e atuação ligada tanto à música de concerto quanto à música brasileira. Seu trabalho com o choro revela uma busca por expressividade, virtuosismo e pesquisa de linguagem.
Tigrão representa uma geração que se aproxima do choro com estudo técnico aprofundado, mas sem perder o vínculo com a roda, o repertório e a oralidade do gênero.
Essa combinação entre formação acadêmica, prática popular e criação autoral é uma das marcas importantes do choro contemporâneo. A flauta, nesse contexto, continua sendo instrumento de invenção.
10. Alexandre Caldi
Alexandre Caldi é saxofonista, flautista, compositor, arranjador e pesquisador. Sua trajetória passa por diferentes formações da música instrumental brasileira e por um interesse claro nas linguagens populares.
Sua ligação com o choro aparece tanto no repertório quanto na pesquisa musical. Caldi tem uma atuação que conecta o sopro brasileiro a universos como o choro, o samba, o jazz, a música latino-americana e a canção.
É um músico importante para pensar a flauta contemporânea não apenas como instrumento solista, mas como parte de uma rede maior de arranjos, contrapontos, diálogos e invenções.
Uma lista para começar, não para encerrar a conversa
Toda lista sobre choro é incompleta por natureza. O gênero nasceu da roda, e roda boa sempre tem mais gente chegando, tocando, discordando e acrescentando nomes.
Além dos 10 flautistas destacados aqui, também vale acompanhar nomes como Adriana Losi, Alexandre Maionese e outros músicos que seguem mantendo a flauta presente na música instrumental brasileira.
Mais do que escolher "os maiores", a proposta é abrir caminhos de escuta. O choro continua vivo porque há músicos estudando, tocando, ensinando, gravando e criando novas formas de soprar essa tradição.
E você: qual flautista contemporâneo do choro também deveria entrar nessa roda?
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